Conferências UNICNEC, XV Mostra Integrada de Iniciação Científica

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Perfil Epidemiológico das Hepatites B e C no município de Osório/RS (2003-2023): Uma Análise Espacial
HENRIQUE DUTRA SCHELL, Luiza Andrade Decio, Gabriel Borges Kiener, Gabriel Corteze Netto, Roberta Oriques Becker

Última alteração: 2026-04-14

Resumo


As hepatites virais, particularmente as hepatites B e C, são doenças infecciosas que afetam diretamente o fígado, sendo geralmente assintomáticas e de difícil diagnóstico precoce. Portanto, acabam apresentando uma alta taxa de cronicidade, com a ocorrência de cirrose e de carcinoma hepatocelular. A hepatite B, causada pelo vírus da hepatite B (HBV), não apresenta cura, mas a vacinação é universalmente distribuída pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2016. Já a hepatite C, causada pelo vírus da hepatite C (HCV), deve ser tratada com os antivirais de ação direta (DAAs), o qual também é fornecido pelo SUS. As hepatites virais são infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) de extrema importância para a saúde pública. Diante disso, este estudo teve como objetivo avaliar os casos de hepatite B e C município de Osório-RS entre os anos de 2000 e 2023, considerando a distribuição geográfica dos pacientes de acordo com a zona de ocupação, localidade e bairros específicos. O estudo foi desenvolvido a partir de fichas de notificação compulsória e de acompanhamento, disponibilizadas pela vigilância epidemiológica do município de Osório/RS. Foram avaliadas 210 fichas de pacientes com diagnóstico de hepatite B, C ou ambas, também foram analisadas as variáveis, bairro de residência, zona de ocupação, ocupação laboral do paciente e laudo diagnóstico. A análise dos dados epidemiológicos permitiu a identificação de informações importantes, dando destaque para a elevada taxa de cronificação, visto que do total de casos analisados, 85% dos pacientes apresentavam a forma crônica da doença. Com relação ao bairro de residência, 14% dos pacientes residem no bairro Centro, 10% no bairro Primavera e 8% no bairro Borússia, mas o total de 37 bairros apresentaram a ocorrência de casos da doença. Ao analisar os casos por zona de ocupação, a zona urbana concentra mais de 81% os casos de hepatites B e C registrados no município. Analisando a atividade laboral dos pacientes portadores das hepatites virais evidenciou que a maior concentração observada foi entre comerciantes representando 35% dos casos, indicando uma possível associação com maior exposição a atividades relacionadas ao contato social. A maioria dos casos de hepatites virais B e C concentrou-se na zona urbana, possivelmente em função da maior proximidade das unidades de saúde, o que facilita o acesso ao diagnóstico e ao tratamento. Em contrapartida, a zona rural apresentou menor número de casos, o que pode estar associado à distância dos serviços de saúde e a barreiras geográficas e estruturais que dificultam o acesso adequado da população rural à atenção à saúde. Os resultados da análise demonstram que as hepatites B e C permanecem como um problema de saúde pública no município de Osório-RS, a alta taxa de cronicidade reforça a importância da vacinação no caso da hepatite B e o diagnóstico precoce no caso da hepatite C, ressaltando então a importância do fortalecimento da vigilância epidemiológica para assim reduzir complicações da cronificação da doença.

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