Última alteração: 2026-04-14
Resumo
Este estudo apresenta uma revisão integrativa sobre os efeitos da terapia
assistida por cavalos (equoterapia/hipoterapia) nos desfechos funcionais e na
qualidade de vida de indivíduos com Transtorno do Espectro Autista. O TEA é um
distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por déficits na comunicação,
interação social e padrões comportamentais repetitivos, impactando de forma
expressiva a funcionalidade e a qualidade de vida dos acometidos. Entre as
abordagens terapêuticas complementares ao tratamento convencional, a
equoterapia se destaca por utilizar o movimento tridimensional do cavalo para
estimular os sistemas sensorial, motor e emocional, favorecendo ganhos motores,
proprioceptivos e vestibulares. A pesquisa foi realizada entre março e maio de
2025 nas bases PubMed, ScienceDirect, PEDro, LILACS e ERIC, com os
descritores “autism spectrum disorder” e “equine-assisted therapy”, aplicando
filtros para textos completos publicados a partir de 2020. Foram incluídos estudos
clínicos diretamente relacionados ao tema e excluídos artigos sem acesso integral
ou que não contemplassem a proposta. Quatro estudos atenderam aos critérios
de inclusão, envolvendo principalmente crianças entre 5 e 13 anos. Os resultados
revelaram benefícios significativos da equoterapia, tais como melhora da marcha
e do controle motor, aumento das habilidades de comunicação e interação social,
desenvolvimento de habilidades motoras grossas, avanços em autorregulação e
redução de sintomas de hiperatividade. Observou-se ainda que a interação com o
cavalo, mediada por profissionais capacitados, se configura como recurso lúdico e
motivador, potencializando o engajamento e a evolução funcional dos
participantes. Entretanto, os estudos apresentaram limitações metodológicas,
como amostras reduzidas, ausência de padronização de variáveis clínicas (tônus,
equilíbrio, controle postural, qualidade de vida) e falta de instrumentos validados
para mensuração dos resultados. Esses achados reforçam o potencial
multissensorial da equoterapia como intervenção complementar à fisioterapia
tradicional, sobretudo por simular padrões tridimensionais da marcha humana e
estimular sistemas proprioceptivos e vestibulares. Conclui-se que, apesar da
necessidade de estudos com maior robustez científica, os dados disponíveis são
promissores e indicam que a terapia assistida por equinos contribui para
melhorias funcionais e comportamentais relevantes, configurando-se como uma
estratégia terapêutica valiosa para o cuidado de crianças com TEA e fortalecendo
seu papel dentro das práticas fisioterapêuticas baseadas em evidências.