Conferências UNICNEC, XV Mostra Integrada de Iniciação Científica

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Infraestrutura Verde e Rodovias: estudo de caso da BR-101/SC e as travessias de fauna na Mata Atlântica
Ricardo Sacramento Ribeiro, Ana Luiza de Oliveira Cassol, Maurício de Andrade Madalena

Última alteração: 2026-04-14

Resumo


A expansão rodoviária no Brasil representa um dos principais fatores de fragmentação de habitats e de mortalidade de fauna silvestre, com impactos diretos sobre a biodiversidade, a conectividade ecológica e a viabilidade genética das populações, além de gerar custos sociais, econômicos e ambientais significativos. Estima-se que centenas de milhões de animais sejam atropelados anualmente nas estradas brasileiras, abrangendo aves, répteis, anfíbios e mamíferos, configurando um problema de magnitude nacional e contribuindo para desequilíbrios ecológicos de longo prazo. Nesse contexto, a infraestrutura verde aplicada a rodovias, tema da presente pesquisa, – especialmente por meio de corredores complementares, passagens subterrâneas, viadutos vegetados, passarelas aéreas, cercas direcionais e travessias complementares – surge como estratégia integrada para compatibilizar o transporte com a conservação ambiental, restaurar a permeabilidade da paisagem e prover múltiplos serviços ecossistêmicos, incluindo regulação hídrica, mitigação de ilhas de calor e manutenção de habitats. Este artigo tem como objetivo analisar o caso da BR-101/SC, trecho que atravessa a Mata Atlântica – bioma de elevada biodiversidade e alto endemismo, onde foram implantadas 36 travessias de fauna, abrangendo diferentes tipologias adaptadas às necessidades comportamentais e ecológicas das espécies locais –, a fim de verificar se essa experiência pode contribuir para o planejamento e implementação de infraestruturas similares em outros contextos. Entre os animais já observados utilizando as travessias destacam-se veado-catingueiro (Mazama nana), gato-do-mato (Leopardus guttulus), capivara (Hydrochoerus hydrochaeris), macacos, marsupiais, aves de médio porte, tatus e tamanduás-mirins, evidenciando a diversidade de fauna beneficiada pelas medidas. A fundamentação teórica discute a infraestrutura verde como rede ecológica multifuncional, enfatizando seu papel na conectividade genética, na redução da mortalidade por atropelamentos, na manutenção de funções ecológicas essenciais, na segurança viária, na promoção de serviços ecossistêmicos e na integração entre planejamento ambiental e desenvolvimento sustentável. A metodologia consistiu em revisão bibliográfica e documental sobre a BR-101/SC, bem como análise comparativa com experiências nacionais e internacionais, permitindo avaliar o desempenho das estruturas e identificar boas práticas replicáveis. Os resultados evidenciam que, embora persistam desafios como fragmentação de habitats, isolamento genético e vulnerabilidade de espécies ameaçadas, as travessias reduziram a mortalidade local entre 60% e 80%, dependendo do tipo de dispositivo e da espécie observada, reforçando a necessidade de manutenção periódica, monitoramento contínuo, articulação institucional e incorporação em políticas públicas de transporte e meio ambiente. Conclui-se que a experiência da BR-101/SC constitui referência nacional em infraestrutura verde aplicada a rodovias, fornecendo subsídios técnicos, conceituais e metodológicos para a formulação de diretrizes de planejamento territorial ecológico, promoção da multifuncionalidade, sustentabilidade viária e estratégias de governança ambiental, além de indicar caminhos para futuras pesquisas sobre conectividade genética, avaliação econômica das medidas, percepção social da população local e replicabilidade em diferentes biomas do país.


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